Frase da vez

Frase da vez: "I'm free but I'm focused [...] I'm lost but I'm hopeful, baby" (Alanis Morissette)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Saudade do nada e de tudo

Saudade do nada.
Às vezes essa é a definição a que chego quando sinto falta de Barcelona. Geralmente quando a batida de alguma música, um som, ou mesmo o silêncio (muitas vezes ele) me causam uma nostalgia sem objeto, sem foco, sem sujeito.
Dos amigos, restam poucos por lá.
Da rotina, da cidade, da logística urbana, da cultura, das possibilidades: normal essa lembrança que sempre vai existir (e já falo dela quando em vez) de coisas que ocuparam o seu lugar no seu devido - e longo - tempo e que não cabem, tampouco são tão desejadas, na vida de hoje.

Mas algo intangível se faz forte, se faz vivo. É algo no ar, algo do clima, que está no vento e no tempo. É algo que está imprimido no ritmo que rege a relação espaço/tempo daquela cidade. O tempo é um para cada lugar. O tempo não é igual em dois lugares.

Ou talvez seja a vida própria que aquele lugar tem (independente de quem o habita, de quem o faz bom para uns e ruim para outros), à revelia do que se quis ou do que se queira para ele.

E esse algo intocável, invisível, faz com que seja possível sentir sua falta. Falta desse nada, que não tem nome, que não se define, que não é. Ou... ou até que é, mas deve ser aqui dentro. Não deve ser algo da cidade... não... Pode ser algo meu, que surge influenciado pelos inputs do lugar.
É isso. É saudade de como e do que eu sentia estando ali.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O 4º fim.

Como algumas coisas ainda mexem com a gente depois de TANTO tempo, tanta cura, tantos fins...?

É um questionamento quente e desesperado, eu sei (!), mas lá vai, outra vez (sou humana, portanto POSSO fazê-lo):
Existirá um fim? Uno, indivisível, não-multiplicável, irrepetível, que não deixe manchas? Que finde tudo isso, de verdade? Haverá?

[E nisso tudo, paro pra ver o quanto é engraçado o modo como a gente se afeiçoa a algumas poesias e não entende, de cara, os motivos. Algum tempo depois, a poesia se encaixa na depuração de um sentimento que até então não tinha dado as caras. E aí a gente entende toda a afeição prévia.
Era pressentimento.
A gente pressente, sim, muito antes de saber...]

Lembra que no primeiro toque deu choque?
Lembra que você mudou de cor?
Queria me enjoar de você
Do doce do seu beijinho
Do cheiro, do jeito, da fauna e da flora
Ah, ah, ah...


Lembra dos dias azuis? Que luz!
Lembra seu corpo junto do meu?
Ah, ah, ah...
Queria me enjoar de você
Mas não consigo
O jeito é deixar doer pra ver se sara


Eu não vou fazer mais nada!
Nem vou me lembrar de te esquecer...


Voltando da sua casa ontem 
Reparei que eu tinha ficado lá!

Voltando da sua casa ontem 
Reparei que eu tinha ficado lá!

horto sessions#1_dinda parte 2 from horto filmes | clara cavour on Vimeo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Cansou.

Pra quê?
Pra quê?
Uma, dez.
Trinta, quarenta, cem...
Cento e vinte vezes, pra quê?
E me pergunto outra vez: pra quê?
"Quês" são mistérios. São instigações. Provocação.
O problema todo está no "para".

domingo, 19 de dezembro de 2010

A bailarina

Entrei, atrasada (o que não é novidade), no teatro já escuro, tateando cuidadosamente os degraus com os saltos para não tropeçar. Sua mãe havia alertado para que chegássemos cedo, já que ela seria uma das primeiras a se apresentar. Não foi. Entraria, apenas, na 11ª dança do espetáculo. Mas a espera foi necessária. Tempo de acomodar-se na cadeira, entender o enredo e ansiar vê-la. Deu tempo, também, para perceber que, entre as 28 danças bem recheadas de alunos, sua coreografia era uma das únicas com poucos bailarinos: apenas três pequenas - e a minha estrelinha seria uma delas.
No roteiro, o achar-se e perder-se de um tempo em que as prioridades se elencam sob critérios invertidos ou, talvez, confusos...
Quais as suas prioridades?
Naquele momento, a minha era estar mais perto dela, depois de haver passado praticamente metade da sua vida quilômetros distante. Era constatar, pela primeira vez, a evolução daqueles pliés e dépliés ainda tão incertos, mas já tão graciosos e cheios de personalidade.
Dizem muitos que ela é minha réplica, cópia, miniatura. Não tanto fisicamente, mas em temperamento e gênio. Trejeitos e expressividade. Em personalidade, mesmo. E vê-la ali, no palco, me fez sentir algo semelhante àquele prazer que, creio, só os pais conhecem bem: o da materialização de desejos tão nossos, projetados neles. A postura, a meia-ponta já elegante, a leveza dos movimentos e o sorriso no rosto transformaram aqueles dois minutos de aparição num espetáculo completo, para o meu deleite.
E lembrei, então, da prioridade que elegi há uns dois meses, no meio de um show do Arnaldo Antunes com o Scandurra. Ela vai voltar, em breve, ao lugar que lhe é devido - posto que, ainda não sendo mãe, quero e preciso projetar meus sonhos em mim.


(Coisinha da direita. Linda!)