Ouvi dizer que o poeta alemão Goethe disse, certa vez, que “ler é a arte de desatar nós cegos”.
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Estava lendo um post no blog de uma grande amiga, também jornalista, a Mylle. Ela falava sobre o tempo. Mais especificamente, sobre a importância de usar o tempo presente como a oportunidade para resolver coisas do passado - que ainda nos incomodam no hoje – e como lugar para realizações plenas, que não dêem espaço para arrependimentos futuros. Comparto, racionalmente, da opinião. Inclusive concordo sobre a importância de não tentar apagar partes do passado; afinal, elas são a nossa história. Indispensáveis na nossa construção e autoconhecimento (ou reconhecimento... reconstrução...).
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Mas confesso que, apesar de apregoar esse pensamento (como ótima conselheira que sou), me pego querendo enforcar o passado que, ao passar, deixou tanto sofrimento, dor e vazio. Na real, é tão difícil engolir (e digerir) a verdade que diz que "pra certas coisas, só o tempo"... Tempo duro, doído, torturante. Malvado, até. Tempo brincalhão: num dia amanhecemos curados; no outro, ferrados... Num dia estamos super fortes; em outros, impressionantemente vulneráveis. Seria tão mais fácil se tudo se evaporasse feito éter, deixando o peito respirar... Deixando a cabeça livre pra entrada de outros pensamentos (talvez mais produtivos. Talvez não...).
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É nessa hora que a maior vontade do ser humano é a de apagar o capítulo que já foi ao ar e que acabou sendo cortado na metade pela claquete impiedosa de um dos diretores. E nós, co-autores, não sabemos onde guardar as tantas páginas já escritas que adiantavam as próximas temporadas. Afinal, pra nós, o enredo ainda estava na metade. Pra nós, no fundo, o seriado ainda não terminou. Não temos nem idéia de onde colocar as tantas idéias mirabolantes que tínhamos inventado pra o desenrolar da trama daqueles personagens... Onde, onde? Ainda não sei ao certo... Se o soubesse, seria tão mais fácil.
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Quantas vezes pedi, implorei, rezei pra que o ansiado dia chegasse. O dia de sentir que já foi. Que já está tudo bem, mesmo. “Tudo bem resolvido”. Ôh, sentimento mais desejado esse da “boa resolução” interna. Mas quanto mais peço, mais sinto que pra esse meio-tempo ainda não inventaram remédio. No meio-tempo, não há outra a não ser... seguir. Cuidar da vida. O tempo cuida do resto; de tudo aquilo que põe esses reles mortais em posição de impotência.
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[Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma... A vida não pára... Eu finjo ter paciência... Um pouco mais de paciência... (Paciência, Lenini)]
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Goethe disse que “ler é a arte de desatar nós cegos”.
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Eu li no MSN de uma amiga uma frase interessante, desabafando que “o problema é que o vazio ocupa espaço DEMAIS”. De fato, o vazio pode ocupar muito espaço. Se a gente deixar, ele ocupa todo o espaço possível. Vai escorregando, entranhando–se... Mas, deixando a cargo do tempo apenas e somente o que diz respeito a ele, coloco de volta o destino em minhas mãos e converto, diariamente, esse espaço que poderia ser vazio num “espaço para o futuro desconhecido encher minha vida com surpresas que ainda estão por vir” (Comer, rezar e amar, de Elizabeth Gilbert). E o faço com todo o prazer, íntegra e integralmente.
"Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar..." (Vilarejo, Marisa Monte)
É, Goethe, sua fama não é à toa (rsrs). A leitura faz crescer o nosso campo mental e nos ajuda a entender por onde os fios se enveredaram até formar esses nós de marinheiro. Tenho fé em, um dia, saber reconhecer alguns dos próximos nós, antes mesmo deles se emaranharem.
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Por enquanto, vou lendo e escrevendo, tentando desatar meu nós. Porque, convenhamos, nestes tempos de crises, Nossa Senhora Desatadora de Nós deve estar cheinha de trabalho! [De todo jeito, seu santinho tá lá na carteira e sua imagenzinha na bolsa! Só por precaução! Vai que ela abre uma fila prioritária pra pessoas com varizes... ;) ]
4 comentários:
prima, não sei se ler ajuda a desatar os nós, mas com certeza escrever... externar... colocar pra fora, de prefreência cuspir na cara de alguém... kkkkkkkk
amooooooooooooooo!!!
saudadeeeeeeeeeeee!!!
Adorei o post!!!
Que você consiga desatar até os nós de marinheiro que a vida apresenta!!!
Beijos!
Saudades!
AMO!! E faça minhas cada uma dessas palavra..tempo maldito, tempo doído, mas tempo que passa, e qto mais passa, mais alivia. a historia ficou bem ali, ali atrás, perdida em palavras, em saudades fora de hora, em lembranças. mas um dia, esta vai ser a "saudade que nós gostamos de ter", porque será apenas lembranças...
te amo
Amo, amo, amo!!!! Bom saber que tem lido o meu blog Lu!!! O agora às vezes é ingrato, mas tudo passa... tudo pode mudar! Beijooo
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