Saudade do nada.
Às vezes essa é a definição a que chego quando sinto falta de Barcelona. Geralmente quando a batida de alguma música, um som, ou mesmo o silêncio (muitas vezes ele) me causam uma nostalgia sem objeto, sem foco, sem sujeito.
Dos amigos, restam poucos por lá.
Da rotina, da cidade, da logística urbana, da cultura, das possibilidades: normal essa lembrança que sempre vai existir (e já falo dela quando em vez) de coisas que ocuparam o seu lugar no seu devido - e longo - tempo e que não cabem, tampouco são tão desejadas, na vida de hoje.
Mas algo intangível se faz forte, se faz vivo. É algo no ar, algo do clima, que está no vento e no tempo. É algo que está imprimido no ritmo que rege a relação espaço/tempo daquela cidade. O tempo é um para cada lugar. O tempo não é igual em dois lugares.
Ou talvez seja a vida própria que aquele lugar tem (independente de quem o habita, de quem o faz bom para uns e ruim para outros), à revelia do que se quis ou do que se queira para ele.
E esse algo intocável, invisível, faz com que seja possível sentir sua falta. Falta desse nada, que não tem nome, que não se define, que não é. Ou... ou até que é, mas deve ser aqui dentro. Não deve ser algo da cidade... não... Pode ser algo meu, que surge influenciado pelos inputs do lugar.
É isso. É saudade de como e do que eu sentia estando ali.

2 comentários:
Eita, hoje esse foi o famoso e famigerado "dedo na ferida"!
Mas às vezes é preciso reconhecer que "in pain and sorrow lies truth", né?! Descrição maravilhosa, Lu... faz a gente se transportar para lá e se identificar com cada parágrafo nessa imensa saudade de tudo e do nada que ficou por lá, e principalmente que ficou na gente.
Beijo grande,
Clarinha
Lu,
essa sensação é inevitável! A gente vive da dúvida; a dúvida do que teria sido se eu tivesse continuado lá; a dúvida de um futuro que não existia e agora virou passado... mas a gente se envolve e passa a lembrar do que nos convém, passa a amar somente o que nos faz bem e isso simplesmente nos torna refém de um momento ou lugar.
Bom mesmo é ter memória, é ter feito estória e saber que saudade do nada significa tudo em nossa vida!
Beijos da Catha
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