Perdoem-me a temporalidade da matéria. Totalmente fora de tempo.
Mas, como a correria aqui está grande e me obriga a ignorar os meus dedinhos ansiosos por escrever aquilo que a minha cabeça não pára de pensar, entrego a vocês o texto velhinho, pois me parece um pecado desperdiçar linhas já escritas.
PS: Destaque para a segunda parte, mais interessante do que o serviço informativo da primeira.
Festival internacional leva cinema brasileiro a Barcelona
Vinte exibições de dez longas-metragens brasileiros, inéditos na Espanha, durante uma semana. Esse é o conteúdo do 4º Cine Fest Brasil - Barcelona, iniciado na última sexta-feira (11) com a exibição do documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” (2008), de Lírio Ferreira, e do filme “Última Parada 174” (2008), de Bruno Barreto. O festival, que tem lugar no Cine Verdi Park, bem no centro boêmio da cidade espanhola, segue até a próxima quinta-feira (17), contando com a presença de alguns diretores, atores e produtores, que participam de debates com o público após cada sessão.
A noite de abertura reuniu cerca de 400 espectadores – dos quais 65% eram espanhóis, representantes dos consulados brasileiros na Espanha, meios da imprensa local e a prometida presença do diretor Bruno Barreto. A escolha dos filmes foi feita pela produtora Inffinito, curadora do festival, que buscou trazer mostras recentes e inéditas da produção cinematográfica nacional. Na programação, o documentário “Fumando Espero” (2008); os dramas “Maré, Nossa História de Amor” (2008), “Verônica” (2008), “O Contador de Histórias” (2009), “Se Nada Mais der Certo” (2008) e “Romance” (2008); e as comédias “Divã” (2009) e “A Mulher Invisível” (2009).
O evento é a etapa final do Circuito Inffinito de Festivais, iniciado em abril com o Cine Fest Brasil - Canudos, na Bahia. Sob diversos nomes, o festival rodou o mundo ao longo deste ano, passando por Buenos Aires, Miami, Vancouver, Nova York, Londres, Roma e Madri. Nesta edição, a organização espera receber uma média de 600 pessoas por dia: “O nosso público vem crescendo a cada ano, mas os espanhóis continuam sendo a maioria”, afirmou Alessandra Alli, produtora do evento em Barcelona.
Silêncio na última parada
Muda. Assim ficou a platéia do Cine Verdi Park, em Barcelona, na noite da última sexta-feira (11), após a exibição de “Última Parada 174” (2008), filme que representou o Brasil na disputa pela indicação ao último Oscar. Após os segundos iniciais de silêncio, ainda à espera da primeira pergunta vinda da platéia, o diretor Bruno Barreto quebrou o gelo: “Uma amiga comentou que eu deveria tirar a música da última cena, pois o filme tinha que terminar mudo, como nós. Entendo que vocês estejam calados!”.
O filme é um “reconto ficcional”, como assinalou o diretor, da história de Sandro do Nascimento, um dos jovens sobreviventes da chacina da Candelária, que culminou no trágico e conhecido episódio do sequestro ao ônibus da linha 174, no Rio de Janeiro, em 2000: “A realidade do mundo está tão absurda, que necessitamos a ficção para digeri-la”.
Foto: Paula Prandini (reproduzida do http://globofilmes.globo.com/)
Para o público, onde os brasileiros eram minoria, as cenas fortes poderiam até soar familiares por conta da repercussão internacional de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”. Mas, dois meses depois da escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, o longa expôs uma cidade destoante das belas imagens mostradas no vídeo promocional da Embratur – um dos principais patrocinadores do festival –, projetado no começo da sessão. “Quando falamos de Brasil, temos que saber de qual país nós falamos. São muitas realidades diferentes, juntas. O vídeo da Embratur não é mentira; também é realidade, assim como o filme”, respondeu Barreto à inquietação dos espectadores espanhóis.
Informações sobre o Circuito Inffinito de Festivais:

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