Às vezes a vida é uma piada. De mau gosto. Que a gente mesmo inventa. E insiste em contar; e recontar. E insiste em fazê-la acontecer. E quebrar a cara. Os olhos, o corpo, a vergonha. Porque dói. Dói quando não funciona. Quem resiste aos apelos de uma mulher? Dói quando há quem se oponha. Aquele alguém, justo aquele, que resiste com a fragilidade de uma teia - impenetrável, porém.
Insistir, resistir.
E pra quê insistir na piada?
Pra quê, mais uma vez?
Mais uma.
E outra vez não funciona.
E resto eu, como insensata. Tão responsável por mim e tão facilmente desmascarada; tão rapidamente entregue a verdades que construí, após umas seis (?) doses de whisky.
Queima. O peito. Queimam os olhos. A cabeça, nessa loucura inventada.
E sabe o que mais me enraivece?
Saber que não para por aqui.
Dói.
[pois, uma vez que se sai do ninho - ainda que retorne à árvore - a ele já não se pertencerá mais]
Frase da vez
Frase da vez: "I'm free but I'm focused [...] I'm lost but I'm hopeful, baby" (Alanis Morissette)
sábado, 11 de dezembro de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
Festival internacional leva cinema brasileiro a Barcelona
Posto uma matéria que fiz - mas que não foi publicada (eu acho que não!) - sobre um festival de cinema brasileiro em Barcelona, em novembro do ano passado (2009).
Perdoem-me a temporalidade da matéria. Totalmente fora de tempo.
Mas, como a correria aqui está grande e me obriga a ignorar os meus dedinhos ansiosos por escrever aquilo que a minha cabeça não pára de pensar, entrego a vocês o texto velhinho, pois me parece um pecado desperdiçar linhas já escritas.
PS: Destaque para a segunda parte, mais interessante do que o serviço informativo da primeira.
Silêncio na última parada
Na opinião do cineasta, este contexto violento já vem passando por mudanças. “Para gravar ‘Cidade de Deus’, o Meirelles (Fernando) teve que negociar, pedir permissão ao tráfico. Em 2007, gravei ‘Última Parada 174’ na única favela que estava livre do controle dos traficantes. Hoje, cinco ou seis favelas do Rio, que são uns 11%, já estão ‘pacificadas’”, comentou, citando o trabalho de pacificação das favelas realizado pelo governo do Rio, o qual considerou “muito corajoso”. “Se eu fosse o governador, teria medo de sair de casa (risos). Mas isso mostra que a realidade está mudando e, com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, temos que mudá-la ainda mais”, concluiu.
Perdoem-me a temporalidade da matéria. Totalmente fora de tempo.
Mas, como a correria aqui está grande e me obriga a ignorar os meus dedinhos ansiosos por escrever aquilo que a minha cabeça não pára de pensar, entrego a vocês o texto velhinho, pois me parece um pecado desperdiçar linhas já escritas.
PS: Destaque para a segunda parte, mais interessante do que o serviço informativo da primeira.
Festival internacional leva cinema brasileiro a Barcelona
Vinte exibições de dez longas-metragens brasileiros, inéditos na Espanha, durante uma semana. Esse é o conteúdo do 4º Cine Fest Brasil - Barcelona, iniciado na última sexta-feira (11) com a exibição do documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” (2008), de Lírio Ferreira, e do filme “Última Parada 174” (2008), de Bruno Barreto. O festival, que tem lugar no Cine Verdi Park, bem no centro boêmio da cidade espanhola, segue até a próxima quinta-feira (17), contando com a presença de alguns diretores, atores e produtores, que participam de debates com o público após cada sessão.
A noite de abertura reuniu cerca de 400 espectadores – dos quais 65% eram espanhóis, representantes dos consulados brasileiros na Espanha, meios da imprensa local e a prometida presença do diretor Bruno Barreto. A escolha dos filmes foi feita pela produtora Inffinito, curadora do festival, que buscou trazer mostras recentes e inéditas da produção cinematográfica nacional. Na programação, o documentário “Fumando Espero” (2008); os dramas “Maré, Nossa História de Amor” (2008), “Verônica” (2008), “O Contador de Histórias” (2009), “Se Nada Mais der Certo” (2008) e “Romance” (2008); e as comédias “Divã” (2009) e “A Mulher Invisível” (2009).
O evento é a etapa final do Circuito Inffinito de Festivais, iniciado em abril com o Cine Fest Brasil - Canudos, na Bahia. Sob diversos nomes, o festival rodou o mundo ao longo deste ano, passando por Buenos Aires, Miami, Vancouver, Nova York, Londres, Roma e Madri. Nesta edição, a organização espera receber uma média de 600 pessoas por dia: “O nosso público vem crescendo a cada ano, mas os espanhóis continuam sendo a maioria”, afirmou Alessandra Alli, produtora do evento em Barcelona.
Silêncio na última parada
Muda. Assim ficou a platéia do Cine Verdi Park, em Barcelona, na noite da última sexta-feira (11), após a exibição de “Última Parada 174” (2008), filme que representou o Brasil na disputa pela indicação ao último Oscar. Após os segundos iniciais de silêncio, ainda à espera da primeira pergunta vinda da platéia, o diretor Bruno Barreto quebrou o gelo: “Uma amiga comentou que eu deveria tirar a música da última cena, pois o filme tinha que terminar mudo, como nós. Entendo que vocês estejam calados!”.
O filme é um “reconto ficcional”, como assinalou o diretor, da história de Sandro do Nascimento, um dos jovens sobreviventes da chacina da Candelária, que culminou no trágico e conhecido episódio do sequestro ao ônibus da linha 174, no Rio de Janeiro, em 2000: “A realidade do mundo está tão absurda, que necessitamos a ficção para digeri-la”.
Foto: Paula Prandini (reproduzida do http://globofilmes.globo.com/)
Para o público, onde os brasileiros eram minoria, as cenas fortes poderiam até soar familiares por conta da repercussão internacional de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”. Mas, dois meses depois da escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, o longa expôs uma cidade destoante das belas imagens mostradas no vídeo promocional da Embratur – um dos principais patrocinadores do festival –, projetado no começo da sessão. “Quando falamos de Brasil, temos que saber de qual país nós falamos. São muitas realidades diferentes, juntas. O vídeo da Embratur não é mentira; também é realidade, assim como o filme”, respondeu Barreto à inquietação dos espectadores espanhóis.
Informações sobre o Circuito Inffinito de Festivais:
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Paz e Bem
Começo de ano é a mesma história: cada um com seus planos, "cadacár" com seus rituais.
É quando, pra maioria de nós, saem à luz alguns - ou muitos - sonhos novos.
E, independentemente da intensidade da fé de cada um, surge também algum grau de esperança em concretizar os novos objetivos antes do próximo reveillon ("Quem acredita sempre alcança!", né?!). Até os mais pessimistas, bem lá no fundo do seu poço, esperam que algo se "resolva" e melhore ao longo dos próximos doze meses.Mas, pra muita gente - e é aí onde eu me incluo - algumas velhas metas apenas se disfarçam de novas. É que um dia elas realmente foram inéditas, mas... Entra ano, sai ano e elas continuam esperando sentadas para ser alcançadas. Aí, cabe aos atrasados, enrolados e desorganizados por vida (Luciana Buarque, presente!) colocar uma roupinha nova no velho desejo, enfeitá-lo um bocadinho e voltar a tentar ("Tente outra vez!", né?!).
Nas últimas viradas de ano, obedeci a rituais particulares e comecei esse ciclos duodecimais cheinha de desejos e disposição. Já vou adiantando que nem todas as mugangas funcionaram...:
- Em uma delas, tomei um banho de sal grosso com perfume. Juro, eu fiz isso mesmo. Emborquei a bacia na cabeça e passei a festa inteira salgada (mas cheirosa!). Até que foi um ano bom. Os olhos gordos podem até ter me olhado, mas não me alcançaram.
- Na seguinte, matei a vontade de romper o ano na praia de Ponta Verde, com direito a jantar, show de fogos, amigos, família, paixão, big festa e champagne à fole a noite toda. Sambão do Patusco ao raiar do sol e carinhos do "bebê" pra terminar um dia e começar o outro. Foi, de longe, o pior ano da minha vida inteira e completa da história mundial (vixe, sem chance pra comparações!)! Vai entender, né?! (se bem que parece que não pulei as sete ondas...).
- Enfim, o sofrimento havia sido tanto que, no reveillon seguinte, tudo o que eu MAIS queria era que aquele ano acabasse. Então, na hora da virada, concentrei todas (eu digo TODAS) as minhas energias num simples pensamento: "Acabou. 2008 acabou. E com ele, tudo de ruim ficou pra trás". Dei um abraço demorado e apertado no meu irmão - única companhia naquela noite gelada - e respirei fundo, com muita confiança no que tinha acabado de mentalizar.
Deu certo. Não... Deu MUITO certo. O último ano sim-ples-men-te fluiu. Fluiu. Assim de natural. Não tive nem tempo pra raciocinar se as coisas estavam indo bem ou não. Tudo acontecia e acontecia. Foi, sem sombra de dúvida, um ano maravilhoso.
DoismilInove terminou tão feliz - marcado por momentos alegres, trabalhos deliciosos e novos projetos paridos - que no último 31 de dezembro, apesar do simbolismo que a data tem pra mim, apenas deixei ela passar. Preparamos, sim, um super jantar seguido de farra, mas a festa foi tão animada e enérgica que, sem querer, só entrei no clima e puff... o ano virou. Acho que, no fundo, era o que eu queria mesmo: fluir de um ano pro outro levando tudo de bom que ele me trouxe. Priorizei, somente, passar uma noite super feliz, tomar todas e assegurar-me de falar com toda a família e com a melhor amiga por telefone.
Claro que várias daquelas metas inéditas do começo de 2009... continuaram sendo inéditas! Hahah! Então, passados alguns dias, me incomodava o sentimento de ter começado 2010 sem um ritual mais concreto e sem haver firmado contrato algum com o lado mais irresponsável da minha pessoa. Apelei, portanto, às internacionalmente conhecidas listas![Tá, tá bom, confesso que também fiz algumas coisinhas do tipo blusa e esmalte vermelhos, calcinha branca com detalhe dourado (e sexy, porque não?), depilação em dia, unhas feitas e cabelo arrumadinho. Também, não custa nada me sentir bem, bonita e cheirosa na virada, né? Brindei com champagne e comi as doze uvas. Tá, também entoei o típico "Adeus aaano veeelho, feliz aaano nooovo!". Brega, eu sei! Enfim, dizem que devemos fazer nessa noite aquilo que queremos fazer o ano inteiro. Faltaram alguns detalhes, mas também não preciso levar todas as superstições tão a sério, né, gente?! Porque se for assim mesmo, tô fu****!!!!!! Ou não!!! Whatever...]
Minha lista de metas pra 2010 é longa, porém humilde. Deus, o universo e as pessoas foram muito bons pra mim nos últimos meses, o que torna inadmissível querer grandes coisas. Não tenho tantas ambições, senão apenas concluir os trabalhos iniciados, seguir construindo minha profissão e sair daqui com a sensação de inteireza.[Sou uma pessoa de listas; quem convive comigo bem sabe. Faço lista pra tudo. Lista de compras, lista de tarefas diárias, lista de dinheiro gasto, etc. etc. etc. Não sei viver sem agenda. O que seria de mim sem uma agenda? Dá "coisinha" só de imaginar! Mas deixemos esse tema de lado, que daria pano pra manga de outro post]
As metas são bem pessoais, no sentido mais literal do termo. Tratam-se de 32 coisinhas simples: umas que me fazem/farão bem e outras que incomodam a mim (e aos demais) e que eu gostaria muito de mudar.
Pensei em postar a lista. Sobe, desce, vai, vem, relê, revisa, posta, num posta... Mas, graças a meu PadinPadinhoCiço, retomei as minhas faculdades mentais a tempo e vi que não tinha necessidade de passar tanta vergonha expondo os meus mais sórdidos defeitinhos, né? Coisas do tipo "Não ir dormir sem escovar os dentes" e "Não esquecer calcinhas no banheiro" podem ser segredinhos só meus, né? (e dos meus flatmates! rsrs).
Ser pontual, ouvir mais e falar menos, demonstrar gratidão, testar novas receitas, cuidar da alimentação e da saúde, praticar a "Paz de Buda" (em uma re-significação pessoal, leia-se: tolerância e desapego), além de muitos itens mais, preencheram toda uma página.
Mais que nada, quero melhorar pra mim. Todos os ingredientes da minha lista convergem pra um objetivo: manter o equilíbrio emocional, cuidar da saúde espiritual, priorizando a minha paz e me respeitando. Quero chegar ao fim desse ano sendo mais honesta comigo. E com serenidade.
E vocês, o que esperam?
Bom ano a todos!
Fé, luz e força!!!
"Paz e Bem", na parede do meu cantinho...
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
De vontades e saudades...
Vazio... Oco...
Um buraco negro no lugar dos pulmões.
Um, dois, três, quatro... Até cabe mais ar na respiração profunda!
Quando a saudade tem nome, fica tudo explicadinho.
Mas, e quando não tem?
Só dá aquele friozinho, aquela vontade de aconchego e o coração fica apertadinho...
Mas a gente olha pra os lados, olha pra dentro, e continua sem razão pra esta estranha "nostalgia".
Sensação esquisita!
Acontece sempre que visitas queridas vão embora.
Levam um pedaço da gente e a gente fica metade vazio.
Aí, dá aquela vontade de estar lá, mas sem querer sair daqui.
Dá uma coisa que parece "saudade" daquilo que não estou vivendo lá, e que não se repetirá...
É uma pena que as escolhas nunca contemplem todos os nossos desejos...
Se contemplassem, não se chamariam escolhas.
Um buraco negro no lugar dos pulmões.
Um, dois, três, quatro... Até cabe mais ar na respiração profunda!
Quando a saudade tem nome, fica tudo explicadinho.
Mas, e quando não tem?
Só dá aquele friozinho, aquela vontade de aconchego e o coração fica apertadinho...
Mas a gente olha pra os lados, olha pra dentro, e continua sem razão pra esta estranha "nostalgia".
Sensação esquisita!
Acontece sempre que visitas queridas vão embora.
Levam um pedaço da gente e a gente fica metade vazio.
Aí, dá aquela vontade de estar lá, mas sem querer sair daqui.
Dá uma coisa que parece "saudade" daquilo que não estou vivendo lá, e que não se repetirá...
É uma pena que as escolhas nunca contemplem todos os nossos desejos...
Se contemplassem, não se chamariam escolhas.
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