[pois, uma vez que se sai do ninho - ainda que retorne à árvore - a ele já não se pertencerá mais]
Frase da vez
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Saudade do nada e de tudo
Às vezes essa é a definição a que chego quando sinto falta de Barcelona. Geralmente quando a batida de alguma música, um som, ou mesmo o silêncio (muitas vezes ele) me causam uma nostalgia sem objeto, sem foco, sem sujeito.
Dos amigos, restam poucos por lá.
Da rotina, da cidade, da logística urbana, da cultura, das possibilidades: normal essa lembrança que sempre vai existir (e já falo dela quando em vez) de coisas que ocuparam o seu lugar no seu devido - e longo - tempo e que não cabem, tampouco são tão desejadas, na vida de hoje.
Mas algo intangível se faz forte, se faz vivo. É algo no ar, algo do clima, que está no vento e no tempo. É algo que está imprimido no ritmo que rege a relação espaço/tempo daquela cidade. O tempo é um para cada lugar. O tempo não é igual em dois lugares.
Ou talvez seja a vida própria que aquele lugar tem (independente de quem o habita, de quem o faz bom para uns e ruim para outros), à revelia do que se quis ou do que se queira para ele.
E esse algo intocável, invisível, faz com que seja possível sentir sua falta. Falta desse nada, que não tem nome, que não se define, que não é. Ou... ou até que é, mas deve ser aqui dentro. Não deve ser algo da cidade... não... Pode ser algo meu, que surge influenciado pelos inputs do lugar.
É isso. É saudade de como e do que eu sentia estando ali.
domingo, 30 de janeiro de 2011
O 4º fim.
É um questionamento quente e desesperado, eu sei (!), mas lá vai, outra vez (sou humana, portanto POSSO fazê-lo):
Existirá um fim? Uno, indivisível, não-multiplicável, irrepetível, que não deixe manchas? Que finde tudo isso, de verdade? Haverá?
[E nisso tudo, paro pra ver o quanto é engraçado o modo como a gente se afeiçoa a algumas poesias e não entende, de cara, os motivos. Algum tempo depois, a poesia se encaixa na depuração de um sentimento que até então não tinha dado as caras. E aí a gente entende toda a afeição prévia.
Era pressentimento.
A gente pressente, sim, muito antes de saber...]
Lembra que no primeiro toque deu choque?
Lembra que você mudou de cor?
Queria me enjoar de você
Do doce do seu beijinho
Do cheiro, do jeito, da fauna e da flora
Ah, ah, ah...
Lembra dos dias azuis? Que luz!
Lembra seu corpo junto do meu?
Ah, ah, ah...
Queria me enjoar de você
Mas não consigo
O jeito é deixar doer pra ver se sara
Eu não vou fazer mais nada!
Nem vou me lembrar de te esquecer...
Voltando da sua casa ontem
Reparei que eu tinha ficado lá!
horto sessions#1_dinda parte 2 from horto filmes | clara cavour on Vimeo.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Cansou.
Pra quê?
Uma, dez.
Trinta, quarenta, cem...
Cento e vinte vezes, pra quê?
E me pergunto outra vez: pra quê?
"Quês" são mistérios. São instigações. Provocação.
O problema todo está no "para".
domingo, 19 de dezembro de 2010
A bailarina
No roteiro, o achar-se e perder-se de um tempo em que as prioridades se elencam sob critérios invertidos ou, talvez, confusos...
Quais as suas prioridades?
Naquele momento, a minha era estar mais perto dela, depois de haver passado praticamente metade da sua vida quilômetros distante. Era constatar, pela primeira vez, a evolução daqueles pliés e dépliés ainda tão incertos, mas já tão graciosos e cheios de personalidade.
Dizem muitos que ela é minha réplica, cópia, miniatura. Não tanto fisicamente, mas em temperamento e gênio. Trejeitos e expressividade. Em personalidade, mesmo. E vê-la ali, no palco, me fez sentir algo semelhante àquele prazer que, creio, só os pais conhecem bem: o da materialização de desejos tão nossos, projetados neles. A postura, a meia-ponta já elegante, a leveza dos movimentos e o sorriso no rosto transformaram aqueles dois minutos de aparição num espetáculo completo, para o meu deleite.
E lembrei, então, da prioridade que elegi há uns dois meses, no meio de um show do Arnaldo Antunes com o Scandurra. Ela vai voltar, em breve, ao lugar que lhe é devido - posto que, ainda não sendo mãe, quero e preciso projetar meus sonhos em mim.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Verdade inventada
Insistir, resistir.
E pra quê insistir na piada?
Pra quê, mais uma vez?
Mais uma.
E outra vez não funciona.
E resto eu, como insensata. Tão responsável por mim e tão facilmente desmascarada; tão rapidamente entregue a verdades que construí, após umas seis (?) doses de whisky.
Queima. O peito. Queimam os olhos. A cabeça, nessa loucura inventada.
E sabe o que mais me enraivece?
Saber que não para por aqui.
Dói.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Festival internacional leva cinema brasileiro a Barcelona
Perdoem-me a temporalidade da matéria. Totalmente fora de tempo.
Mas, como a correria aqui está grande e me obriga a ignorar os meus dedinhos ansiosos por escrever aquilo que a minha cabeça não pára de pensar, entrego a vocês o texto velhinho, pois me parece um pecado desperdiçar linhas já escritas.
PS: Destaque para a segunda parte, mais interessante do que o serviço informativo da primeira.
Silêncio na última parada
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Paz e Bem
Mas, pra muita gente - e é aí onde eu me incluo - algumas velhas metas apenas se disfarçam de novas. É que um dia elas realmente foram inéditas, mas... Entra ano, sai ano e elas continuam esperando sentadas para ser alcançadas. Aí, cabe aos atrasados, enrolados e desorganizados por vida (Luciana Buarque, presente!) colocar uma roupinha nova no velho desejo, enfeitá-lo um bocadinho e voltar a tentar ("Tente outra vez!", né?!).
Nas últimas viradas de ano, obedeci a rituais particulares e comecei esse ciclos duodecimais cheinha de desejos e disposição. Já vou adiantando que nem todas as mugangas funcionaram...:
DoismilInove terminou tão feliz - marcado por momentos alegres, trabalhos deliciosos e novos projetos paridos - que no último 31 de dezembro, apesar do simbolismo que a data tem pra mim, apenas deixei ela passar. Preparamos, sim, um super jantar seguido de farra, mas a festa foi tão animada e enérgica que, sem querer, só entrei no clima e puff... o ano virou. Acho que, no fundo, era o que eu queria mesmo: fluir de um ano pro outro levando tudo de bom que ele me trouxe. Priorizei, somente, passar uma noite super feliz, tomar todas e assegurar-me de falar com toda a família e com a melhor amiga por telefone.
Claro que várias daquelas metas inéditas do começo de 2009... continuaram sendo inéditas! Hahah! Então, passados alguns dias, me incomodava o sentimento de ter começado 2010 sem um ritual mais concreto e sem haver firmado contrato algum com o lado mais irresponsável da minha pessoa. Apelei, portanto, às internacionalmente conhecidas listas![Tá, tá bom, confesso que também fiz algumas coisinhas do tipo blusa e esmalte vermelhos, calcinha branca com detalhe dourado (e sexy, porque não?), depilação em dia, unhas feitas e cabelo arrumadinho. Também, não custa nada me sentir bem, bonita e cheirosa na virada, né? Brindei com champagne e comi as doze uvas. Tá, também entoei o típico "Adeus aaano veeelho, feliz aaano nooovo!". Brega, eu sei! Enfim, dizem que devemos fazer nessa noite aquilo que queremos fazer o ano inteiro. Faltaram alguns detalhes, mas também não preciso levar todas as superstições tão a sério, né, gente?! Porque se for assim mesmo, tô fu****!!!!!! Ou não!!! Whatever...]
Minha lista de metas pra 2010 é longa, porém humilde. Deus, o universo e as pessoas foram muito bons pra mim nos últimos meses, o que torna inadmissível querer grandes coisas. Não tenho tantas ambições, senão apenas concluir os trabalhos iniciados, seguir construindo minha profissão e sair daqui com a sensação de inteireza.[Sou uma pessoa de listas; quem convive comigo bem sabe. Faço lista pra tudo. Lista de compras, lista de tarefas diárias, lista de dinheiro gasto, etc. etc. etc. Não sei viver sem agenda. O que seria de mim sem uma agenda? Dá "coisinha" só de imaginar! Mas deixemos esse tema de lado, que daria pano pra manga de outro post]
Pensei em postar a lista. Sobe, desce, vai, vem, relê, revisa, posta, num posta... Mas, graças a meu PadinPadinhoCiço, retomei as minhas faculdades mentais a tempo e vi que não tinha necessidade de passar tanta vergonha expondo os meus mais sórdidos defeitinhos, né? Coisas do tipo "Não ir dormir sem escovar os dentes" e "Não esquecer calcinhas no banheiro" podem ser segredinhos só meus, né? (e dos meus flatmates! rsrs).
Mais que nada, quero melhorar pra mim. Todos os ingredientes da minha lista convergem pra um objetivo: manter o equilíbrio emocional, cuidar da saúde espiritual, priorizando a minha paz e me respeitando. Quero chegar ao fim desse ano sendo mais honesta comigo. E com serenidade.
Bom ano a todos!
Fé, luz e força!!!
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
De vontades e saudades...
Um buraco negro no lugar dos pulmões.
Um, dois, três, quatro... Até cabe mais ar na respiração profunda!
Quando a saudade tem nome, fica tudo explicadinho.
Mas, e quando não tem?
Só dá aquele friozinho, aquela vontade de aconchego e o coração fica apertadinho...
Mas a gente olha pra os lados, olha pra dentro, e continua sem razão pra esta estranha "nostalgia".
Sensação esquisita!
Acontece sempre que visitas queridas vão embora.
Levam um pedaço da gente e a gente fica metade vazio.
Aí, dá aquela vontade de estar lá, mas sem querer sair daqui.
Dá uma coisa que parece "saudade" daquilo que não estou vivendo lá, e que não se repetirá...
É uma pena que as escolhas nunca contemplem todos os nossos desejos...
Se contemplassem, não se chamariam escolhas.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Fico.
Se é para o bem de todos [os meus projetos] e felicidade geral da nação [do meu coração], digam ao povo que FICO!
Sim. Estou ficando, pelo menos.
Contrariando todos os meus planos (o quê são os planos antes de serem fatos?), rasguei o velho roteiro e decidi que não era hora de voltar. O coração pedia pra viver tudo o que está ao seu alcance. A cabeça raciocinava que seria melhor voltar com o perfil profissional mais trabalhado e qualificado. Os sentidos queriam se manifestar maniacamente, diante da sensação de haver se mexido pouco nos dois anos anteriores. A energia acumulada queria se jogar em todas as idéias que vinham fulminando ao longo dos supostos últimos meses que me restavam de estadia no Velho Mundo.
Tanta vontade concentrada atraiu o destino pra os novos caminhos...
Três horas depois de enviar alguns currículos por internet, o telefone toca. Do outro lado, aquele que viria a ser o meu futuro (e atual) chefe. No outro dia, comecei no trabalho, após quase três anos sem trabalhar. Com o passar dos dias, pude sentir o mínimo de segurança necessário pra concretizar os planos de ficar. Calma, não pensemos que os pensamentos positivos e o botão "FÉ" ativado na potência máxima me fizeram ser contratada por um jornal espanhol! Hehehe! Mas, se eu disser que encontrei o que realmente estava buscando, ninguém acreditará. Sim, eu queria mesmo trabalhar em um bar. Queria "desopilar", como diria um amigo: não pensar em estudos ou em carreira profissional. Queria algo que me desse o pão de cada dia, que sacudisse minha vida social fazendo-me conhecer mais gente e que me fizesse pensar em outras coisas - ou não pensar muito, quando se trata de servir cervejas ou "lapadas" de tequila. Pensando melhor, os pensamentos positivos e a fé em alta trouxeram o que eu estava procurando e desejando tanto.
Foi aí que a nova trabalhadora brasileira, que trabalha igual burro e não ganha dinheiro (Salve Seu Jorge! rsrs), re-significou o seu dia 30 de outubro de 2009. Em março, em mais uma despedida, os abraços apertados nos grandes e melhores amigos e na família amada eram acompanhados da frase "Em outubro estou aqui de vez! Preparem-se!". Nesse esperado dia 30, eu estaria embarcando para a fase III da vida, de volta à Terra Brasilis. Fazia questão de comemorar o meu aniversário ali, após três anos fora. Ao mesmo tempo, algo de pressentimento já começava a manifestar-se (nesse ano, um lado "bruxinha" se aguçou em minha pessoa...). Enquanto dizia que estaria de volta em poucos meses, despedia-me emocionada com a justificativa de que não sabia quando voltaria a ver-lhes... Contraditório, não?! Mandaram-me, inclusive, virar essa boca pra lá! Mas não, eu não achava que partiria dessa pra outra vida... Simplesmente eu não podia explicar a sensação de que algo poderia mudar. Uma semana após chegar de volta à Barcelona, entendi tudo. O que eu menos queria era regressar em sete meses.
E eis que aqui estou. O 30 de outubro virou a data da minha "Abolição da Escravatura" (leia-se: fim do contrato com a minha bolsa de estudos, que há muito já havia danificado meu sistema nervoso), a comemoração de um mês do meu grito de "Independência ou morte!" (depois de ter vivido em família durante toda a minha estância fora do país, finalmente me mudei e comecei a morar "só") e o "Dia do Fico" (ou o "dia da volta daquela que não foi!").
Menos dormir e mais agir. É tudo o que eu quero pra esse novo ano que é o fim de um ciclo. Sim, espero que seja o fim, afinal, não me converti num pedacinho de pedra: a saudade aumenta proporcionalmente ao passar dos dias e já começo a sonhar até com o cheiro de Brasil. Deste ano não passa!
O mais perto que cheguei da terrinha, por enquanto! (Padrão dos Descobrimentos - Lisboa, Portugal)
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Saudade de quem já não está.
Foto: Ivson LunaQue esteja em paz, Vó; você merece.
domingo, 9 de agosto de 2009
Para os meus...

Descobrir o mundo. Viajar. Viver. “Cidadanizar-se”. Ser. Estranhar. Adaptar. Expandir. De dentro para fora. De fora, pra dentro.
Ganhar. Compartilhar. Perder. Rasgar-se. Chegar ao limite. Ao seu limite. Desesperar-se. Sentir que morre. Superar o limite – surpreender-se consigo. Renascer. E tornar a ganhar.
Conhecer.
Conhecer. Gostos. Hábitos. Gente. Gentes. Gente pequena. Gente grande. Gente admirável, gente desprezível. Almas. Conhecer almas. Corações. Mentes. Cheiros, cores, sons... Ares. Lugares. Conhecer gostos. E desgostos.
Crescer. Aprender. Sofrer, mas crescer. Renunciar. Entender o time, pra tirar o time de campo. Desligar-se. Faxina, abrindo estradas para o novo. Pra sair do escuro à luz. Errar e acertar. Errar mais, bem mais. Descobrir a essência dos acertos. É a sua essência. A raiz que não morre. Está sempre ali, bem ali. Perceber as mudanças. E gostar do que vê transformado. Transformação. Conservação. Amar o que se mantém. Equilíbrio.
Ares. Novos ventos. Velhos ares. O que era novo ar, agora já é habitat.
... Viver sem os “nossos”, nunca. Passar toda a vida longe deles, não. Jamais. Não teria sentido. Eles dão sentido. Eles são o sentido. O meu sentido. Tirar férias deles, sim. Abrir espaço pra mais gente. Para o novo. Coração grande. Espaço infinito. Coração quer o mundo todo. Coração: cabe todo mundo.
Mas eles são raiz. Alimento. Necessidade. Minha fonte. Que nunca seca.
domingo, 28 de junho de 2009
Aqui jaz um diploma...
STF derruba a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista
Alguém me dá um copo d’água e me explica direito essa história, POR FAVOR?!
Cheguei em casa na madrugada daquela quinta-feira, 18 de junho, depois de dançar horrores em um samba brasileiro (na tentativa de conservar a paz e alegria encontradas no último fim de semana) e, naquela checada rápida na internet antes de dormir, leio essa bomba. O choque (eu não esperava que o julgamento resultasse nessa decisão), somado às duas cervejas que eu tinha tomado, fizeram meus olhos encherem de lágrimas e minha pele toda arrepiar. Dormi pra não pensar.
Foram décadas de muita luta e lentos avanços, a duras penas, para que OITO cabeças “SUPER PENSANTES” da instância MÁXIMA da JUSTIÇA brasileira se coloquem do lado da iniciativa privada e contra a cidadania (o que não é nenhuma novidade...), determinando simplesmente que escrever é um dom!!! Qualquer um pode fazer isso! Liberdade de expressão! (Claro, assim como urinar e defecar são atividades naturais; qualquer pessoa as executa, inclusive os “excelentíssimos”...).
Dá raiva só de lembrar as argumentações. Qualquer pessoa em sã consciência e com um pouco de noção da realidade pode rapidamente notar a debilidade de tais argumentos. Não obstante, não posso deixar de comentar algumas “valorações” dos “experts” do SUPREMO:
1. Comunicação não é ciência. Uma salva de palmas! Desmereceram décadas de estudo e todo um universo de pesquisadores e investigações na área (inclusive, o que é que eu tô fazendo “perdendo” três ou quatro anos da vida num doutorado? Devo ter batido a cabeça mesmo...). Ah, e pra não falar que tudo começou com Aristóteles! “Ãhn? quê? Quem é esse?”, devem se perguntar os ministros, especialistas em direito, que de comunicação não entendem NADA! Ah, parece que sociologia, antropologia e outras “ias” são só um hobby de pensadores que não tem coisas mais sérias pra fazer.
2. Machado de Assis não tinha diploma. Haveríamos sido privados dos seus brilhantes textos se naquela época o diploma fosse obrigatório, segundo o gênio Gilmar Mendes, presidente do Supremo. Mendes, preste atenção: o primeiro curso de jornalismo do Brasil surgiu quase 40 anos DEPOIS da MORTE de Machado de Assis!!! Ó, céus, que comentário, que argumentos... Um chazinho de camomila, por favor...!
3. Argumentam que tal qual a extinta Lei de Imprensa, a exigência do diploma era um péssimo resquício da ditadura militar. Dirijo minha pergunta aos ministros e à ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – privadas, diga-se de passagem): se é assim, então porque as atividades de radiodifusão continuam hoje a serem reguladas pelo defasado Código Brasileiro de Telecomunicações, datado de 1962, cuja promulgação foi claramente induzida pelos militares que, dois anos depois, assumiram o governo do país? Isso não se trata de um resquício também? Porque tal código segue vigente (sem atualizações) apenas para as rádios e televisões abertas e gratuitas, visto que em 1997 foi promulgada uma nova lei para as telecomunicações?
Quanta pergunta complicada, não???
4. "O que seria da internet, dos blogs e de toda essa evolução nas tecnologias da informação e na liberdade de expressão se todo mundo tivesse que ter diploma pra escrever?". Ai, meu Deus do céu... Santa ignorância, Sra. Advogada Taís Gasparian! Em que mundo você vive, minha filha?! (PARECE que a ministra Ellen Gracie pactuou da opinião. Se assim for: ministra, o loiro do seu cabelo é tintaaa! Liberdade de expressão II!) Taís, já ouviu falar de Web 2.0? Desculpe, acho que estou falando grego, né?! Bom, vamos desenhar pra ver se você entende melhor: na sua adolescência, você precisava de diploma pra escrever o seu querido diário? Não, né?! E você podia mostrá-lo pra quem você quisesse, não era? Mas, era o seu querido diário que tinha nas mãos a força de difundir ou não – e da maneira que você bem quisesse – os acontecimentos de relevância local e mundial para TODA a sociedade, sendo considerado e socialmente legitimado como um “quarto poder”? Acho que não, NÉ? Bom, com essa decisão, pode ser que agora a coisa ande pra esse lado... De todo o coração, espero que não. Não é à toa que “Fé” está tatuada em mim (eu devia estar pressentindo que ainda iria precisar muito dela...).
Enquanto em outros países, a exemplo da Espanha, cursos de graduação e pós-graduação em jornalismo se multiplicam, inúmeros colégios de jornalistas buscam um consenso sobre o exercício diplomado da profissão (http://periodistasdegalicia.es/doc/colegiosperiodistasweb.pdf) e órgãos de fiscalização (http://www.cac.cat/) buscam controlar a qualidade da informação, o Brasil anda de ré e as empresas de comunicação batem palminhas de felicidade. A justiça alisa com uma mão, pra depois bater com a outra: derrubam a ditatorial Lei da Imprensa e, semanas depois, derrubam também o diploma. Se o jornalismo já enfrentava tantos problemas de qualidade, ética e corrupção, sinto que agora é que a coisa vai ficar preta e que, no final, sempre vai dar tudo em pizza e samba, como de costume.
Bem que meu pai já dizia que jornalismo é uma profissão de risco. É, mainha, comece a se contentar com a minha antiga idéia (tô ficando boa nesse negócio de pressentimento): se eu não der certo como jornalista, abrirei meu restaurante numa praiazinha paradisíaca do nordeste brasileiro, com o dom culinário que herdei de você.
Avante, companheiros... Agora é que a luta começou... Quem falou que seria fácil?
(Pra esquecer dos problemas bem ao estilo verde-amarelo de sempre, vou-me embora ver o jogo do Brasil num pagodinho de mesa...)
Muito bom o ponto de vista: http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2009/06/17/cozinheiro/
Nota da FENAJ: http://www.fenaj.org.br/diploma/interesse.htm
Posição do Deputado (e jornalista) Paulo Pimenta: http://www.youtube.com/watch?v=eCqktndzHUw&eurl=http%3A%2F%2Fwww%2Eorkut%2Ecom%2FFavoriteVideos%2Easpx%3Fuid%3D11790518328074640330&feature=player_embedded
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Toscana - Parte 2
Segunda parada: Arezzo
Terceira parada: Cortona
Dia 1: 05 de junho de 2009, sexta-feira à noite!
O primeiro programinha proposto por Fabi foi um “jantarzinho” em um café super arrumado de Arezzo, numa rua onde dois de cada três estabelecimentos haviam servido de cenário pra o filme “La vita è bella”. Ai, que delícia!
Nem o furdunço de um comício das eleições européias tirou o charme do momento. Na verdade, toda aquela movimentação de gente, uma orquestra tocando ao ar livre na porta da igreja e as ruas de pedra cobrindo-se de uma luz amarelada com a chegada da noite injetaram ainda mais ânimo nas brasileiras aqui. Mal chegara e eu já estava desfrutando muito. Quando digo muito, é muito mesmo. Um sorriso se plantou na minha cara e só desapareceu dias depois, quando voltei à casa. Orgasmos múltiplos de prazer por estar ali.
A primeira noite já foi maravilhosa. Fabi começou a mostrar-nos os inúmeros bares de vinhos. Sabe pequenos lugares onde a gente estaria tomando uns choppinhos, se aquilo ali fosse o Brasil? Lá, era tudo vinho! Entramos no Divino (nome super sugestivo, não?), que é uma Prosciutteria-Wine-Cocktail Bar, como eles se autodenominam. Um ovo de lugar mega-agradável e cool. Na verdade, nem precisava entrar: todo mundo ficava em pé na porta do bar, com suas grandes taças de vinho, conversando e sorrindo muito. Dentro, uma decoração super legal: muitas garrafas no balcão e nas prateleiras, móveis modernos sob paredes de pedra e bancos coloridos de acrílico que mais pareciam grandes vasos de flores tampados (eu e Élida gastamos minutos discutindo se eram vasos ou tamboretes, até que consegui convencê-la de que eram bancos, pois estavam em volta de mesas e havia gente sentada neles).
Na porta da Prosciutteria-Wine-Cocktail Bar começou a sessão de apresentações, que não acabou até a hora de pegarmos o trem de volta ao aeroporto. Cidade pequena é assim, seja aqui, no Brasil ou na China: TODO mundo se conhece.
Degustamos o vinho no meio da ruazinha, apreciando o clima do momento (eu estava quase em êxtase com o ambiente) e tomamos o caminho da roça. Na casa de Fabi, refizemos o make-up rapidamente e lá estávamos nós, buscando Alice – uma das suas melhores amigas, super gente boa, que parecia haver saltado de algum desenho animado ou cartoon meigo e divertido – para nos dirigirmos a uma festa em Cortona, cidade vizinha a Castiglion.
Do estacionamento, vimos que a festa estava um fracasso e, então, resolvemos dar uma volta pela cidade. Deu pra ver que Cortona é realmente muito linda, mas a ventania fria que quase nos levava voando deve ter espantado as pessoas: não havia quase ninguém nos bares, apesar de ser uma noite de sexta-feira. Voltamos pra Castiglion, onde o Velvet Garden (um bar ao ar livre) nos esperava...
Como o texto está bem extenso e como eu já estou atrasada (pra variar), deixo para apresentar-lhes o Velvet na próxima postagem. Não sabia ele (e nós tampouco) que o lugar abrigaria “las borracheras nuestras de cada día” (todas as nossas canas, em um bom português!). O Velvet marca o começo da etapa “Castiglion Fiorentino Forever”!!!
Baci per tutti! Arrivederci!
terça-feira, 9 de junho de 2009
Toscana: o retorno (Parte 1)
Primeira parada: Perugia – região Toscana – Itália
Dia 1: 05 de junho de 2009
A viagem, planejada há uns dois meses, já começou bem. Um dos 28 e-mails que Fabiana, minha amiga-anfitriã italiana em Castiglion Fiorentino, havia-me mandado nas últimas 48 horas me rendeu muitas risadas. Fabi contou que Élida (amiga brasileira que me acompanhou nessa viagem) e eu éramos “a atração da semana”! Todos os seus familiares e amigos estavam “super ansiosos e loucos pela nossa chegada”; afinal, éramos as brasileiras. É que desde que voltou das suas férias no nordeste brasileiro – com duração de apenas 15 dias, mas que englobaram o carnaval –, Fabiana se considera outra mulher. E todos os que convivem com ela também pensam assim. Dizem por aí que ela irradia uma luz e alegria antes nunca vistas. E ela diz que não quer, jamais, perder o “axé” que descobriu nos seus dias de sonho no país tropical. Luta árdua e diariamente por isso. Ela acha mesmo que tem um pezinho na nossa senzala. E eu concordo, plenamente. Portanto, não é de se estranhar que nós, as brasileiras, sejamos a atração da semana. Tô até achando que a festa medieval da cidade já nem é tão importante assim... rsrs.
Eu venho sentindo, há dias, uma empolgação um tanto quanto surpreendente, posto que esta já seja a terceira vez que visito Castiglion, sob a recepção de Fabi e sua família. Mas, dessa vez, tem algo diferente.
A ida está sendo bem longa. Mais de uma hora de ônibus até o aeroporto onde pegaremos nosso vôo low-cost. Na fila de espera pra o embarque, um rapaz me chamou a atenção pelo seu, digamos, porte físico. Cutuquei Élida pra começarmos a valoração do produto. “Moreno alto, bonito e sensual”, cabelo legal, etcétera e tal. Beleza. Uma olhada 180° de cima pra baixo e... Havaianas no pé. Mas será possível? Noventa por cento de chance de ser brasileiro. Bastou abrir a boca e o castelhano com sotaque verde-amarelo o denunciou. Como brasileiro sempre se junta, não deu outra: sentamos perto, o que ajudou o tempo do vôo a passar mais rápido.
Mais uma hora de viagem, tentando nos convencer de que o piloto era, sim, profissional. Dadas as semelhanças com uma voltinha numa montanha russa, minha amiga apostou todo o seu dinheiro em que o cara ainda não tinha sequer “voado” na última versão do Flight Simulator. A verdade é que subir em um avião exatamente uma semana depois de uma grande tragédia aérea não é lá tão confortável; ainda mais quando se trata da companhia mais baixo-custo do mercado europeu. Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, amém. O Pai Nosso e a Ave Maria de costume e vamos lá. Avanti!
Perugia, cidade aonde aterrissou o nosso vôo super-mega-hiper-extra low-cost, é uma linda comuna da região da Umbria, na Itália. O aeroporto de Perugia é, sem dúvidas, o menor que já conheci. A esteira de bagagem tem uns 3 metros de comprimento, no máximo. Pra quem acha a do aeroporto de Maceió pequena... Essa parece que é de brinquedo! (Faltou uma foto... A polícia aeroportuária me intimidou...).
Do lado de fora, o asfalto quente fazia subir um calor já familiar, debaixo do brilhante sol do meio da tarde. Foi a primeira sensação de que eu estava voltando à TOSCANA! Quando esperávamos a partida do micro-ônibus-sauna que nos levaria à estação de trem no centro de Perugia, vimos surgir do lado de fora o tal moreno alto tomando um sorvete de casquinha de dar água na boca. “Filho da mãe... A gente aqui desidratando nessa ‘besta’ e ele se lambuzando de sorvete... ITALIANO!”. Bastou um sinalzinho do rapaz nos convidando pra dividir o seu gelato, e lá estava eu tentando arranhar a minha primeira frase na língua italiana, em terras italianas, pra o motorista do ônibus: “Aspetto fueri!” (que significa: “Espero fora!”. É claro que na hora eu troquei alguma vogal, mas o sorriso do motorista ao me ver articular aquela enorme frase me fez pular de alegria como se tivesse feito um gol em final de campeonato – se eu jogasse bola, claro). O sorvete era delicioso. Frutas do bosque e nozes. Huuummm. O tempinho de conversa serviu pra tirarmos mais alguma onda, trocarmos telefones (os três, vale ressaltar) e convidarmos o rapaz pra festa medieval de Castiglion. Educado (pra não dizer interessado), o moço ofereceu carona no carro do amigo que viria buscar-lhe. Mas, como tínhamos pressa, voltamos ao ônibus.
No caminho até a estação de trem, alguma estradinha de barro me suspendeu da Terra por uns instantes. Aquela paisagem harmoniosa em tons de verde e amarelo – composta de campos, estradas e casas ora rústicas, ora românticas, quando não eram as duas coisas juntas – transmitiu-me uma deliciosa sensação de reconhecimento. Lembrei-me imediatamente da minha última vez na Toscana, há uns nove meses, no verão europeu do ano passado. Senti-me no carro que alugamos, eu e mais três, percorrendo muitas estradas semelhantes àquela. Não, não era saudade, nostalgia; nada disso. Era reconhecimento. Parecido com o que a gente sente quando retorna pra nossa cidade, após muito tempo fora. Era o coração inundado de felicidade em estar de volta àquele lugar.
Outra hora no trem de Perugia a Arezzo, onde encontraríamos Fabiana para jantar e tomar um drink antes de seguirmos pra casa dela, em Castiglion Fiorentino. As quase oito horas de viagem, ao final, não resultaram tão cansativas. Sempre é bom conversar sobre a vida e relembrar histórias e amigos, principalmente com a paisagem toscana pela janela. Aproveitei pra revisar as duas pequenas páginas com palavras e expressões básicas em italiano: era o meu guia de “sobrevivência” não por necessidade, senão por opção própria. Dessa vez eu queria dar o pontapé inicial nessa língua apaixonante.
Na estação de Arezzo, avisto Fabi correndo em nossa direção com um sorrisão no rosto e uma folha de papel verde na mão, onde se lia um carinhoso trocadilho do clássico hino do carnaval baiano: “Bem vinda a Toscana... coração da Itália...”!
Ao som de muito axé baiano no carro de Fabi, começam as peripécias e deslumbres!
Grazie, bella!
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Espaço vazio, espaço habitável...
"Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar..." (Vilarejo, Marisa Monte)
É, Goethe, sua fama não é à toa (rsrs). A leitura faz crescer o nosso campo mental e nos ajuda a entender por onde os fios se enveredaram até formar esses nós de marinheiro. Tenho fé em, um dia, saber reconhecer alguns dos próximos nós, antes mesmo deles se emaranharem.
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Por enquanto, vou lendo e escrevendo, tentando desatar meu nós. Porque, convenhamos, nestes tempos de crises, Nossa Senhora Desatadora de Nós deve estar cheinha de trabalho! [De todo jeito, seu santinho tá lá na carteira e sua imagenzinha na bolsa! Só por precaução! Vai que ela abre uma fila prioritária pra pessoas com varizes... ;) ]
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Visca el Barça! (E vai rolar a festa...)
Vivi Barcelona no dia em que o Barça ganhou um torneio. Eu estava aqui e isso é, no mínimo, impressionante. Incrível. Na verdade, faz mais ou menos um mês que a cidade vive momentos de loucura total a cada semana. A cada quatro ou sete dias, vejo uma Barcelona caótica. É que dos torneios que o time poderia participar nesse ano, parece que uns 80% estão acontecendo entre abril e maio. É jogo demais em pouco tempo. Coração demais, emoção demais, fanatismo demais; comemoração, exaltação e excessos demais. Tudo demais. Tá parecendo Copa do Mundo. Posso supor que a economia da cidade também esteja afetada por demais. Os torcedores gastam horrores em bandeirolas, adornos, fogos de artifício, “bombinhas” e cerveja – principalmente. Por sua vez, as lojas que comercializam artigos do clube devem experimentar uma subida nos lucros. Os bares, idem. O próprio Futebol Clube Barcelona, idem, idem! Já a prefeitura e alguns quantos comerciantes do centro da cidade... Esses estão é provando o amargo gostinho do prejuízo, com tanto quebra-quebra a cada comemoração.
Estive observando a “festa” popular num dia em que o time empatou (foi empate, mas isso lhes garantia uma vaga na final em um dos “trocentos” torneios em andamento). As famosas Ramblas estavam lotadas. Um mar de gente azul e grená. Era de ficar boquiaberto mesmo. E arrepiado. Só que em meia hora eu me cansei. Cansei até de ficar boquiaberta. Os gritos de guerra eram os mesmos; o hino também. Nem uma musiquinha pra animar... E a comemoração virou briga política. As bandeiras da Catalunya tiraram o protagonismo das bandeiras do Barça e só se ouvia “¡Madrid, cabrón, saluda el campeón!” (detalhe: o pobre do Madrid não tinha nada a ver com o jogo daquele dia. O adversário da vez tinha sido o Chelsea... Whatever). Como saí logo, não presenciei o desfecho. No outro dia, deu nos noticiários: lojas depredadas e saqueadas. Vidraças e vitrines destruídas. Contêineres de lixo viraram fogueira. Vandalismo a torto e a direito. Sete detidos. O de sempre, quando se trata de comemoração da torcida blaugrana. Isso sem falar no dia em que eles ganharam de 6x2 do Real Madrid! Certeza que os madrilenhos, naquele dia, se trancaram no armário. A sete chaves.
Hoje, a polícia fazia o relatório do “prejú”. Sábado e domingo tem mais. Para ser o campeão da Liga Española por soma de pontos, o Barcelona só precisa que o Real Madrid perca a partida de sábado. Caso o Madrid vença, o Barça só precisa empatar no seu jogo de domingo. E dia 27 tem mais ainda: é a final da Champions League, contra o Manchester United. Será que daqui pra lá ainda sobra praça pra irem comemorar?
O que eu acho engraçado é como eles mudam quando se trata do seu futebol. Expelem uma paixão que não sei de onde vem (se eles paquerassem com o afinco com que torcem, eu fincava pé aqui... rsrsrs). Não vejo com freqüência demonstrações de carinho ou expressão de paixão nos casais. Uma pesquisa de uns muitos anos atrás afirmou que 70% dos espanhóis acreditavam que é necessário um tempo de convivência para se apaixonar por alguém (Hãn? Como assim? Esse povo já ouviu falar em paixões fulminantes, paixões de verão, ou paixão à primeira e segunda vista?). Mas aí os danados vêm e projetam, com toda a força e pressão, aquela afeição intrínseca ao ser humano (por menor que seja a dose contida na genética deles) em coisas como os esportes e os cachorrinhos de estimação. Eu, hein...!
Hoje a cidade está uma paz. Apesar de sentir um clima super calmo nas ruas e ver todos tão relaxadinhos, com uma expressão mista de alegria, satisfação e leveza – como se tivessem passado a noite fazendo sexo gostoso, com orgasmos múltiplos – não me convenci, para nada, de que aquilo ali se tratava de felicidade. Até a pele deles está mais reluzente hoje. Mesmo assim, continuo pensando que o que vi era estranho. De festa, nada (pelo menos no MEU conceito de “festa”). Muito vandalismo. Alegria misturada com fúria, revolta, rebeldia sem causa. Tudo junto e misturado. Às vezes me pergunto se eles já experimentaram, alguma vez, um sentimento genuíno de alegria.
E, quando converso com algum catalão sobre futebol, sou obrigada a escutar que na América Latina isso é uma LOUCURA: “Muito violento. Estão todos loucos”. Aqui, eles são APENAS vândalos. Tá bom, então! Fico com a minha violência, seguida de samba e cerveja gelada até o sol raiar. E muito beijo na boca. Mais o sexo gostoso, se o nível de cachaça permitir.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
CambioS climáticoS
É Abril. E neva. Na Espanha. ABRIL. NEVE. ESPANHA. Meu Deus!!!!!!! Onde vai parar esse planeta?! Tenham medo. A primavera, dissimulada, tá fazendo graça com a gente aqui no sul do continente. Enquanto na Alemanha dizem que faz um calor que te brônzeas! Vai entender.
O clima daqui de casa também mudou. Visita de pai, irmão, cunhada. Somados à mãe, irmão e a mim, que já estávamos. Barulho, confusão e discussão dobradas. Calor humano triplicado. Bastante afeto familiar (o incomparável afeto familiar, aquele que se demonstra entre tapas e beijos, mas que é o mais verdadeiro do mundo). Hoje um amigo-irmão entrou em êxtases aqui em casa, quando na cozinha comíamos cuscuz nordestino e conversávamos. "Meu Deus! Estou vendo a família reunida! Vocês são TODOS iguais". Eu sorri, achando que ele falava das nossas feições físicas e trejeitos. Ele continuou: "Vocês TODOS interrompem um ao outro nas conversas e reclamam porque o outro interrompeu, e daí voltam a interromper e a falar um por cima do outro!". Definição perfeita. Já podemos visualizar uma típica feira de domingo.
Ontem aprendi uma coisa nova. Os carocinhos do tomate são ruins pro apêndice. Eu achava que faziam mal aos rins... E que faziam bem à próstata. E fiquei bem feliz quando minha amiga pernambucana Élida me disse que eu nunca teria problemas de próstata.
Mas ontem fiz um "bocadillo" legal, gostoso, e meu pai se negou a comer por causa dos caroços de tomate, contando-me que tudo isso que é pequenininho iria direto pro apêndice, que virava uma espécie de "lixeirinho" do nosso organismo.
Isso não me preocupou muito... A cor escura do Ice Tea que venho tomando em substituição aos sucos de caixinha e aos refrigerantes (já que a cerveja, os vinhos, a vodca e similares continuam sendo insubstituíveis) me assusta beeem mais do que o tomate fresquinho e seus carocinhos.
Minha alimentação havia melhorado bastante, bastante meeesmo no ano passado, até que na minha última estadia no "País das Maravilhas" eu esqueci TOTALmente o que significava "alimentação saudável". E, um mês depois da volta à rotina, minha dieta vem piorando gradativamente. Ou melhorando - depende, mais uma vez, do ponto de vista. Câmbio no clima da minha geladeira.
Sinto-me um furacão, engolindo tudo; e todos dizem que pareço um poço sem fundo. Tô seguindo a dieta dos dias: tem dia que é de chocolate... Outros são dias de sanduíche... Dia de doces e Dia de pães se alternam. O dia de comer/beber fora (e comer bem) testando os cantinhos da cidade é sempre o melhor! E o dia de costela de porco assada pingando de gordura, farofa, coca-cola, sobremesa de morango com chantilly... Ui, esse dá até medo.
Dizem que somos o reflexo do que comemos. Neste momento, prefiro de verdade pensar que essa minha fase "furacão" e "buraco negro" é que são reflexos do meu estado de espírito antropófago. Calma, minha gente... Momento culturalmente antropófago... ;)
Enfim, só sei que sempre que vejo o marrom escuro do chá gelado de pêssego me doem os rins... Até que eu me lembro do preto betumem da coca-cola que desentope até pias... Aí eu relaxo e vou fazer uma salada verde pra acompanhar o chá e limpar o organismo. E também a consciência, tão pesada quanto o meu estômago.
segunda-feira, 9 de março de 2009
*New Generation*
Após os últimos incríveis 47 dias, tenho uma única coisa a dizer.
[Mentira, mentira, três vezes mentira. Quem bem me conhece - ou até quem me conheceu há apenas 5 minutos - já sabe que 72 horas de conversa seriam nadinha pra poucas novidades... Quem dirá pra tantas!]
Corrigindo, então... No impraticável resumo da última temporada, tenho uma coisa urgente pra salientar. Trata-se do pensamento mais (ou menos) produtivo que tive no último despertar, sentindo-me suja e maltrapilha dentro de um avião "estrangeiro" após um dia inteiro de viagens (se menos ou mais produtivo, é só uma questão de ponto de vista):
"O negócio é não perder o charme! Jamais!"
E já está! Tudo dará certo! Certeza! Ou, pelo menos, você sempre se sentirá ótima mesmo quando algo insistir em dar errado!
Aprendi... Tudo depende do nosso estado de espírito. Mesmo. ;)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
À espera do alívio
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Meus queridos diários...
O fato é que Conchita não deixa passar um aniversário em branco; sempre aparece com uma (ou várias) lembrancinha. Há exatos 10 dias, quando eu voltava da academia e já passava da meia-noite (já sendo, assim, dia 1º de novembro: meu aniversário), encontrei uma sacola pendurada na fechadura da porta do nosso apartamento, amarrada com uma fita azul que trazia dependurada uma bola de Natal (isso mesmo...), grande e vermelha. Não precisei pensar muito pra adivinhar quem havia deixado aquele regalo à minha espera, né?!
Dentro, uma caixinha continha um diário, com direito a duas chavezinhas. Fiquei bem surpresa, admito, ao receber um florido diário na minha 24ª primavera! Acho que desde que entrei na pré-adolescência não ganhava mais os "meus queridos diários". Um brinco lindo, singelo, também com motivo floral, acompanhou o presente.
E a verdade é que - coincidência ou não - o diário veio num momento mais que oportuno. A Conchita tem dessas coisas... Talvez sua sensibilidade a tenha feito perceber que o turbilhão de sentimentos pelos quais eu vinha correndo (desesperada, algumas vezes) nesses últimos meses necessitava de um depósito; um container onde eu pudesse despejá-los para depois organizá-los, digeri-los. Percepção essa que se deu através da atenta observação nas rápidas conversas que temos tido ultimamente e da leitura do meu olhar, no mínimo, ansioso.
Achei engraçado nos três primeiros segundos, mas logo em seguida me dei conta do grande presente que eu havia acabado de receber.
Engraçado é que uns 20 dias antes eu havia criado esse blog. Ainda andava meio parado - só havia a postagem inicial - apesar dos meus pensamentos não me terem dado descanso. Hoje, vesti e maquiei o blog, e inaugurei o meu querido diário!
Creio que é o começo de um retorno ao mundo das letras vivas. Letras com sentimento. Espero que seja!


